IM: Olá Mário, ao fim de tantos anos o nosso reencontro passa por aqui... eu a ter o privilégio de te entrevistar!
Quando sentiste este apelo pela música e pelo canto?
MA: Olá Isabel. Estudo música desde miúdo e sempre me senti atraído pelo canto. O canto lírico veio mais tarde e, diria, de surpresa. Mas foi um tiro certeiro.
IM: Tiveste uma experiência única com " As vozes da rádio", como entrou esse projecto na tua vida?
MA: Era colega do Jorge Prendas no Conservatório e ele falou-me de um projecto que tinha em mente com gente da Escola de Jazz do Porto. Esse projecto veio a ser a génese das Vozes da Rádio, em 1991.
IM: Acabaste o Conservatório e a seguir...
MA: E a seguir fiz algumas coisas diferentes no mundo da musica explorando o lado criativo e o lado performativo. Actualmente dedico-me quase exclusivamente à minha carreira de cantor.
IM: O trabalho de um cantor essencialmente lírico em Portugal é complicado como te "vai a vida" é possível sobreviver?
MA: Sim. Há fases mais cor-de-rosa do que outras. Mas vivo exclusivamente do canto há vários anos e mantenho as contas em dia...
IM: Sei que estás quase mais por Itália que por Portugal, como tem sido essa experiência e com quem trabalhas agora?
MA: Eu sou freelancer e como tal trabalho constantemente em teatros diferentes. Canto essencialmente em Portugal, Espanha e Itália embora pontualmente noutros países (Estados Unidos, Bélgica, Japão, França...).
IM: São raros os Tenores em Portugal, o que para ti é uma vantagem... sentes-te afortunado?
MA: Sinto-me afortunado, essencialmente, por cantar e por poder fazê-lo m situações, ás vezes, tão privilegiadas. Estando aberto a isso, podemos aprender imenso em cada nova produção.
IM: Que ópera te deu mais prazer em cantar e interpretar?
MA: Talvez as que tenho feito mais vezes: O Elixir do Amor e O Barbeiro de Sevilha. O meu papel de sonho é o Werther.
IM: Outro dia comentavas-me que adoras a vertente de concerto, mas que não tens muitas oportunidades de te apresentar nesta vertente, qual é o teu estilo preferido, Melodie, Lied...?
MA: É um mundo tão cheio de preciosidades que não me atrevo a dizer que prefiro este ou aquele universo específico.
IM: Onde gostarias de cantar e com quem?
MA: Cá está outra pergunta difícil de responder... Há tanta gente boa com quem cantar, tanta por descobrir...
IM: Entre CDS e trabalho em S. Carlos, és de facto um privilegiado... pois muitas vezes os cantores portugueses são colocados em segundo plano, sentes que isto acontece verdadeiramente?
MA: Faz parte deste nosso ADN lusitano o lamento e o menorizar o produto Made in Portugal. Seja em que área for: industria, futebol, cinema, enfim. O que fazer? Tentar mostrar o contrário pela prática é a única opção que nos resta. Temos bom e mau como qualquer outro país.
IM: Tens um projecto com José Cura... que não é de facto para todos, como aconteceu este convite?
MA: Não se trata de um projecto com o José Cura. Fui simplesmente a Tenerife cantar o papel do Cassio, no Otello de Verdi e no elenco, como Otello, estava o José Cura. É bom, em todods os aspectos poder participarem em produções de bom calibre porque à partida estão reunidas mais condições para se fazer um bom trabalho e para o lado artístico ser muito compensador.
IM: Projectos que queiras partilhar e anunciar...
Está em pleno lançamento o CD Opera Premium construído com outros 3 artistas e verdadeiros companheiros de viagem nesta ainda não muito longa carreira, o João Paulo Santos, a Dora Rodrigues e o Luís Rodrigues. Onde te podemos ouvir?
MA: Convido-vos a passar pelo site www.marioalves.no.sapo.pt ou por www.myspace.com/marioalvestenor e conhecer um pouco do meu trabalho passado, presente e futuro.
IM: Mário obrigada por este bocadinho e pela tua generosidade e talento que tanto nos orgulha, aos portugueses e aos amigos.
Sucesso, saúde e projectos é o que te desejo de todo o coração para este 2009 que se inicia.
Um beijo
Isabel MAIA




