IM: Olá Gil antes de mais obrigada por seres o primeiro, nesta viajem por rotas ainda pouco exploradas no nosso país.
Um interregno de 9 anos para gravar... faltava a inspiração?
GC: Obrigada a ti... sempre gostei de cantar, venho de uma família de cantores de fado, os meus primeiros trabalhos foram gravados quase um a seguir ao outro... este é um trabalho mais harmonioso e que vem complementar todo um amadurecimento musical e pessoal.
Quando fiquei com o “Speakeasy “, assumi - me como tasqueiro e dediquei estes últimos anos ao restaurante e a um projecto que é sem dúvida também ele ligado à música, pois recebemos muitos artistas cada ano para actuarem no nosso palco, muitos deles até dando aqui pela primeira vez a conhecer o seu trabalho.
Agora era a altura certa.
IM: A tua voz tem uma grande versatilidade, brincas com ela, entre tonalidades extremas, desde o grave ao falsete, que é muito utilizado por ti, sussurras, respiras “ dentro das palavras “ e tudo parece muito natural...
GC: Sim de facto sempre gostei de saber quais eram os meus limites e tocá-los fascina-me. Gosto de experimentar e aventurar-me na descoberta de novas sonoridades. Por exemplo, o meu cantor de eleição é Bobby Mcferrin que virá ainda este mês de Abril a Lisboa ao Coliseu. A versatilidade dele impressiona. Começou pelo Jazz, os pais também eram músicos, passou pela Pop, fez formação clássica, inclusive Cursos de direcção de orquestra e tem uma voz brilhante, única.
Tenho-o como exemplo de ambivalência musical, aos mais variados níveis.
IM: Cada canção do teu trabalho, embora um todo, são vários momentos (pelo menos é o que eu sinto), que tu retratas com a voz, usando padrões vocais completamente distintos, para letras algumas magnificas.
GC: Sim para mim a palavra é fundamental. Todas as letras são minhas, excepto a canção número 11” Quem me dera ser o fado “.
Um dia o Diogo Clemente chegou a minha casa e disse-me - “ Ouve isto “, uma melodia lindíssima com uma letra fabulosa e disse logo...” quero cantar isto “. A letra é de Rui Manuel, que eu acredita, ainda nem conheço, mas quero conhecer...
O que dizes é de facto assim, este disco foi sendo feito, com vários momentos de inspiração, constituindo quadros, que depois se juntam num só projecto, com uma estrutura musical muito singular, sempre com o meu braço direito e meu “irmão” Nando, Fernando Araújo.
IM: A presença de uma respiração, que é extremamente audível durante o teu trabalho é propositada?
GC: Eu diria que é assumidíssima. Dá - lhe carácter, porque é de facto assim natural, como eu a senti.
IM: Recomendas a todos os que se iniciam na música e no canto a terem e fazerem preparação?
GC: Sim a preparação é fundamental e só temos uma voz, embora eu acredite que ou se canta ou não se canta. E que é depois o Palco, o actuar, o estar ali, que nos dá a tarimba que muitas vezes só a área académica não pode transmitir.
IM: Gil, muito obrigado por teres aceite este convite e entrares neste projecto dos Roteiros que está agora a começar.
GC: Adorei entrar na viagem. Conta comigo!




