IM: Olá Fernando... 25 anos a cantar vozes...Como te tens sentido em termos de percurso vocal? Há novos “heterófonos”?
FP: Cada vez mais “heterófonos” e cada vez mais novas imitações. É um processo criativo, contínuo e imparável... De Robbie Williams e Anastacia a Mika e Gnarls Barclay, é sempre a olhar para a frente. Afinal vêm aí mais 25 anos...
IM: Os cuidados que tinhas há uns anos com a tua voz, são os mesmos que agora tens, ou adquiriste novos hábitos?
FP: Os cuidados são basicamente os mesmos, mas encarados cada vez com mais rigor: beber muita água, não fumar, evitar excessos alimentares, dormir bem e fazer uma vida tão saudável quanto possível. São cada vez maiores as agressões ambientais sobre a voz e a vida das pessoas e há que redobrar todas essas atenções.
IM: Sentes que estas coisas da Voz e do canto têm evoluído em Portugal?
FP: Sim, mas muito lentamente. Ainda perdemos muitos pontos comparativamente a outros países da Europa e, muito especialmente, se tivermos em conta os novos parceiros de leste. São de um modo geral países com uma cultura musical muito mais rica do que a nossa... Continuando a apostar no amadorismo e na piroseira, vamos levar ainda muitos anos para os apanhar.
IM: Alguma vez temeste ficar sem Voz?
FP: Já, claro que sim! É o maior pesadelo para um cantor. Mas felizmente nunca tive problemas sérios, apenas questões pontuais, derivadas do cansaço, do excesso de trabalho ou das inevitáveis rinites e sinusites... Mas pensar nisso é sempre um pouco assustador.
IM: Sei que quando estiveste nos Estados Unidos fizeste um Seguro para as tuas cordas vocais... como aconteceu?
FP: Surgiu, na altura, em sequência de um contrato importante e vultuoso com um casino do empresário Donald Trump, o famoso “Trump Taj Mahal” de Atlantic City. Tratava-se de uma sério de vários grandes espectáculos, ao longo de muitas semanas e a prudência aconselhou que o fizesse. É pena que cá em Portugal não se conheçam produtos desse género.
IM: Que projectos tens para este ano com o teu novo trabalho, “Só nós Dois - Os Duetos Imprevistos “?
FP: Sair com um novo CD e DVD gravado ao vivo e continuar a apresentar o espectáculo pelo país e por esse mundo fora, sempre que possível. Estivemos ultimamente nos Estados Unidos, no Canadá, no Egipto, em Itália, na Eslovénia... E também no Porto, em Lisboa, em Bragança, no Algarve, eu sei lá... Vamos sempre onde as pessoas fizerem questão de ver e desfrutar de um grande espectáculo. Sem falsas modéstias, apresentamos um trabalho profissional de alto nível, divertido, original e diferente de tudo o que existe por aí... É esse o nosso lema, o nosso objectivo e não o fazemos por menos.
IM: Quando estás em Tourné... como cuidas do teu instrumento de trabalho, a tua voz?
FP: Os cuidados podem sempre ter lugar. É tudo uma questão de força de vontade e disciplina. E também de necessidade, pois sem voz não haveria espectáculo e muitas famílias dependem disso...
IM: Fazes alguma manutenção relativamente à tua Voz?
FP: Sim, sou seguido com regularidade pelo meu amigo Prof. Dr. Pais Clemente, um especialista reconhecido internacionalmente e que é uma das grandes sumidades do nosso país em assuntos da voz. Tem sido uma excelente parceria, pois mais de que um médico é um amigo que me acompanha até à distância de milhares de quilómetros...
IM: O que dirias a todos os que cantam ou começam agora a integrar o mundo do espectáculo?
FP: Gostava que os jovens percebessem que o sucesso é 20% de inspiração e 80% de transpiração, 20 % de talento e 80% de técnica, de aplicação, de estudo, de ensaio... Embora as televisões promovam programas em que o sucesso parece fácil, que muitos buscam e conseguem a qualquer preço, isso não é verdade, isso não é o verdadeiro sucesso e muito menos será tornar-se um Artista. Ser artista e estar a sério no mundo do espectáculo requer, para além de verdadeiro talento, muito trabalho, muito sacrifício e muita disciplina... Só assim se constrói uma carreira, só assim a fama e os aplausos são verdadeiramente merecidos.
IM: Obrigada... Bons concertos e muitas vozes...




