Entrevista a Fernando Gomes
Entrevista a Fernando Gomes

IM: Olá Fernando, antes de mais queria agradecer-te a disponibilidade para estares aqui ...nos Roteiros da Voz.
Tu és um grande profissional, conheces muitos dos gravam em Portugal, no entanto és também aquele que está por detrás da cortina... neste caso da mesa de mistura...
O que pensas do panorama nacional ao nível das vozes que gravas?


FG: Olá Isabel. Eu é que te agradeço o convite. Referindo-me apenas à música, o que mais “salta ao ouvido” em relação às vozes é a sua impreparação. Regra geral, não há noção de que a voz é um instrumento muito especial e que, como tal, é imprescindível trabalhá-lo tecnicamente para poder dominá-lo. Aliás, a maioria das pessoas não encara a voz como um instrumento e muito menos um cantor como músico.


IM: Achas que os Profissionais que cantam e que falam estão conscientes da responsabilidade que têm, quando abordam um texto ou uma melodia?


FG: Só poderão ser apelidados de “Profissionais” se estiverem conscientes dessa responsabilidade.


IM: Já alguma vez te sentiste tentado a dizer a algum deles que procurasse ajuda?


FG: Já o disse. Infelizmente, há certas pessoas que, por terem algum sucesso, se julgam acima de conselhos ou considerações a respeito das suas capacidades vocais. Infelizmente para elas, entenda-se.


IM: Gostavas de cantar?
Vá surpreende-nos...


FG: Admito que... gostava de saber cantar.


IM: Tu, para além de te dedicares a ouvir e gravar os outros, também crias, escreves e compões. Alguma vez pensaste em dedicar-te somente à música e à poesia?


FG: Sim, já pensei nisso várias vezes. Mas em todas elas acordei logo a seguir.


IM: Já alguma vez tiveste algum problema de voz?


FG: Que me lembre, só umas rouquidões e muito raras.


IM: A tua voz é francamente bonita, quando falas, claro...
Dedicas-lhe alguma atenção?


FG: Muito obrigado. Não só não lhe dedico qualquer atenção, como a martirizo diariamente até à exaustão. Bebidas geladas, cigarros, longas horas em ambientes com ar condicionado, entre outros pecados, são o pão meu de cada dia. Sei que não devia, mas...


IM: Tens algum projecto que queiras partilhar com a nossa plateia...


FG: Tenho vários, na música e não só, mas não sei se os quero partilhar já. Acho que ainda é cedo para falar deles.


IM: O que pensas do projecto do Vocare - Instituto Profissional da Voz e Comunicação?


FG: Penso o melhor. A Voz é um instrumento de trabalho em variadíssimas profissões, mas é também uma ferramenta de comunicação. Conhecê-la e cuidar dela é imprescindível. Não é por acaso que "a falar é que a gente se entende". Não só, mas também.


IM: Obrigada por estares aqui... e tudo de bom.


FG: Obrigado, eu. Até sempre e muita sorte.


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